A poética de Márcia Kambeba: feminismos indígenas e a descolonização do corpo-território pela palavra

Autores/as

DOI:

https://doi.org/10.47456/vcqykx44

Palabras clave:

Feminismos indígenas, Corpo-território, Márcia Kambeba, Literatura indígena

Resumen

Este artigo analisa a poética de Márcia Kambeba a partir de uma perspectiva interseccional e decolonial, centrando-se no poema “Mulher indígena em movimento”, presente na obra De almas e águas kunhãs (2023). Parte-se da emergência da literatura indígena no Brasil como ferramenta de resistência e afirmação identitária. O objetivo é compreender como a escrita de Kambeba articula os fundamentos dos feminismos indígenas, especialmente o conceito de corpo-território, como entende Lorena Cabnal (2019), na denúncia das violências coloniais e na afirmação de modos próprios de existir. Assim sendo, partimos à análise textual, com enfoque sintático-semântico e crítico-discursivo. Os resultados apontam que Kambeba reinscreve a experiência da mulher indígena como sujeito coletivo, revelando a inseparabilidade entre corpo, território, espiritualidade e resistência. Conclui-se que sua obra configura uma epistemologia poética decolonial rompendo com a lógica universalizante dos discursos coloniais e feministas ocidentais, convertendo a linguagem em espaço de memória, luta e resistência.

Biografía del autor/a

  • Paulo Valente, Universidade Estadual do Maranhão

    Professor de Literatura Brasileira e Teoria Literatura na Universidade Estadual do Maranhão - Uema. Doutor em Literatura, pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), com bolsa CAPES. Área de Crítica Feminista e Estudos de Gênero. Tese ganhadora do Prêmio Zahidé Muzart, como a melhor de Estudos de Gênero pelo Instituto de Estudos de Gênero - IEG/2023. 

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Publicado

14-05-2026

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